José Aniervson Souza dos Santos
"Agradeço pelo empenho de tantas vozes disperças até agora!
Vamos juntos/as gritar, girar o mundo.
Chega de violência e extermínio de Jovens!"
Pe. Gisley Azevedo
(in memorian)
Falamos tanto em igualdade social, liberdade de expressão, livre arbítrio e tantas outras teorias que quando nos damos conta estamos sendo tolos em acreditar que apenas as nossas palavras mudarão alguma coisa.
É cômodo demais fecharmo-nos em nossas casas, escolas, igrejas, rodas de amigos, grupos de jovens e acharmos que estamos lutando por um mundo melhor, onde reine a justiça e a paz, enquanto fora dessas paredes os nossos jovens estão sendo violentados e tendo seus direitos violados... estão sendo mortos!
Precisamos urgentemente sair às gritas contra o extermínio da juventude, como dizia o inesquecível Padre Gisley, que foi assassinado por defender a causa da justiça e da igualdade no seio da juventude.
Enquanto estivermos de braços cruzados, isolados e protegidos por nossas paredes nunca iremos conseguir enxergar, nem experimentar essa Paz e Justiça tão sonhada.
Essa violência não está distante de nós, está em nossa cidade, talvez até dentro de nossas casas. Recente exemplo dessa violência foi o assassinato da jovem e mãe Raysha Reis, de apenas 22 anos de idade, que no auge de sua mocidade teve sua vida interrompida pela falta de respeito e amor ao próximo. Raysha e milhares de outros jovens são mortos brutalmente a cada dia em nosso País.
Não quero, nesse momento, culpar, nem tão pouco inocentar os autores desse atrocinato; gostaria de, nessas palavras, dizer da necessidade de sairmos de nossas casas e irmos às ruas, às favelas, aos guetos, às palafitas, às grandes cidades, não gritando pela Paz, mas, construindo cidadãos de bem.
É um pesar ter que dizer que grande parte dessa culpa é nossa. Nossa, porque não estamos exercendo o nosso papel de Cristão que é defender a vida em sua plenitude. Nossa, porque estamos acomodados em nossos grupinhos de reza, de partilha, de festa e não estamos sendo uma “gota no oceano” como Madre Tereza de Calcutá. Nossa, porque não temos direito de concentrar todo o conhecimento e segurança para nós mesmos e permitir que os outros pereçam. Nossa, principalmente, porque não estamos fazendo nada para mudar essa realidade. Infelizmente!
A violência está ai. Os nossos jovens estão ai. Nós estamos “nem ai”. Isso é uma lástima! É frustrante! “Envergonhante”!
Onde estão os frutos de nossa fé? Quem é o alvo de nossas orações, senão estes que estão “distantes de Deus”?
Nessa ocasião, convoco toda a juventude de nossa Diocese e, em especial, todos os militantes da Pastoral da Juventude, a saírem de suas casas e se prontificarem em posição de batalha para podermos sair em marcha contra o extermínio dos nossos jovens, pois enquanto continuarmos trancados em nossos grupos mais vidas estarão sendo mortas.
Nossas pastorais só servirão a Deus a medida que estiverem servindo aos menores dos nossos irmãos.
Vamos todos juntos construir a Civilização do Amor!
Surubim, 09 de Novembro de 2009